Maioria da Câmara do Recife rejeita pedido de impeachment contra João Campos

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Por Karol Matos
3 de fevereiro de 2026 às 11h28min
Foto: Karol Matos

A Câmara Municipal do Recife rejeitou, na manhã desta terça (3), a admissibilidade do pedido de impeachment contra o prefeito João Campos (PSB). Após uma sessão marcada por galerias lotadas e muita confusão, o plenário decidiu rejeitar o pedido, por 9 votos sim contra 25 não e uma abstenção.

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Desde as primeiras horas do dia, apoiadores do gestor formaram fila em frente à Casa de José Mariano para acompanhar a votação. O presidente Romerinho Jatobá (PSB) reforçou o esquema de segurança, com controle de acesso às galerias e presença de agentes a Guarda Municipal, Polícia Militar e socorristas, para o caso de algum incidente.

Ainda ontem (2), em entrevista após a sessão de retorno dos trabalhos legislativos, Romerinho afirmou não acreditar que o pedido avançasse. Segundo ele, a votação fazia parte do rito institucional, mas o conteúdo da denúncia não reunia requisitos para ter seguimento, apontando que seria uma “pirotecnia” da oposição.

A denúncia envolve o caso de um suposto beneficiamento do filho de um juiz num concurso para a Procuradoria do município. O jovem teria sido supostamente favorecido em detrimento de um candidato aprovado em primeiro lugar para a vaga de PCD, sigla para Pessoa com Deficiência.

A situação foi solucionada jurídica e administrativamente, com a nomeação e posse do candidato “original”, mas a polêmica permaneceu, resultado na denúncia por crime de responsabilidade (impeachment) contra o prefeito.

O autor do pedido, o vereador Eduardo Moura (Novo) não participou da votação por impedimento regimental, sendo substituído pelo suplente George Bastos (Novo). O rito iniciou com a posse de George e a colocação da matéria para discursão. Mesmo não podendo votar, Eduardo acompanhou a sessão de seu lugar no plenário e fez a defesa da matéria. ”Importante dizer que o vereador Eduardo Moura tem todas as prerrogativas de discussão do processo inteiro, só não tem direito a voto”, explicou o presidente.

Apoiadores de João Campos mobilizaram militantes para ocupar as galerias, que registraram momentos de tensão, apelidos e xingamentos aos parlamentares de oposição. Durante o discurso de Eduardo, houve várias interrupções, fazendo com que o líder da oposição, Felipe Alecrim (Novo), solicitasse o esvaziamento das galerias, o que foi negado pelo presidente. Os líderes do governo e do partido do prefeito, Samuel Salazar (MDB) e Ronaldo Júnior (PSB), precisaram pedir insistentemente por silêncio.

Eduardo teve 10 minutos para a defesa, citando alguns colegas nominalmente e perguntando se seria “justo” o que ocorreu. Eduardo defendeu que a votação de hoje não se tratava diretamente da cassação do prefeito, mas da abertura da investigação.

Samuel Salazar também falou durante 10 minutos e explicou todo o caso, apontando ter sido uma denúncia vazia e defendendo que o prefeito não pode ser responsabilizado, por receber as nomeações já prontas para assinatura. “Isso aqui não é um estúdio de televisão”, disse, se voltando para Eduardo. Logo em seguida, reproduziu um áudio do recém-empossado George Bastos chamando as pessoas da galeria de “mudiça”, o que gerou revolta da população e de parlamentares.

Para que fosse aprovada, a matéria precisava de maioria simples a favor do andamento interno. Com a rejeição da admissibilidade, o pedido de impeachment será arquivado, encerrando o processo ainda na fase inicial, sem a abertura de comissão especial.

Veja como votou cada parlamentar:

  • Aderaldo Pinto (PSB) – não

  • Agora é Rubem (PSB) – sim

  • Alcides Teixeira Neto (Avante) – sim
  • 
Alef Collins (PP) – sim

  • Carlos Muniz (PSB) – não

  • Chico Kiko (PSB) – não

  • Cida Pedrosa (PCdoB) – não

  • Davi Muniz (PSD) – sim

  • Eduardo Mota (PSB) – não

  • Eriberto Rafael (PSB) – não

  • Fabiano Ferraz (MDB) – não

  • Felipe Alecrim (Novo) – sim

  • Felipe Francismar (PSB) – não

  • Flávia de Nadegi (PV) – sim

  • Fred Ferreira (PL) – sim

  • George Bastos (Novo) – sim

  • Gilberto Alves (PRD) – sim
  • 
Gilson Machado Filho (PL) – sim

  • Hélio Guabiraba (PSB) – não

  • Jô Cavalcanti (PSOL) – abstenção
  • Júnior De Cleto (PSB) – não

  • Junior Bocão (PSD) – sim

  • Kari Santos (PT) – não

  • Liana Cirne (PT) – não

  • Luiz Eustaquio (PSB) – não

  • Natalia de Menudo (PSB) – não

  • Osmar Ricardo (PT) – não

  • Paulo Muniz (PL) – sim

  • Professora Ana Lúcia (Republicanos) – não
  • Rinaldo Junior (PSB) – não

  • Rodrigo Coutinho (Republicanos) – não
  • Romerinho Jatobá (PSB) – não
  • 
Samuel Salazar (MDB) – não

  • Tadeu Calheiros (MDB) – não

  • Thiago Medina (PL) – sim

  • Wilton Brito (PSB) – não

  • Zé Neto (PSB) – não
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