
Em entrevista ao Blog Cenário, o deputado estadual e ex-prefeito de Paulista, Júnior Matuto (PRD), afirmou que aguardou um ano antes de fazer críticas mais duras à gestão do prefeito Severino Ramos (PSD), mas avalia que a cidade enfrenta, atualmente, uma situação de abandono administrativo.
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Segundo Matuto, a decisão de esperar foi para evitar que suas críticas fossem interpretadas como inconformismo com o resultado das eleições. “Ele já sucedeu uma gestão completamente destruída, que foi a de Yves Ribeiro, que apoiou ele”, declarou.
Passado o período de um ano, o deputado afirma que a realidade da cidade se agravou. De acordo com o parlamentar, o atraso nos repasses da prefeitura estaria afetando diretamente trabalhadores terceirizados. “A gente sabe que a saúde de Paulista está um caos, a cidade está tomada de lixo e existe uma desorganização financeira. Estão pagando fornecedores com atraso e parcelando pagamentos”, afirmou.
Júnior Matuto afirma que nos bastidores da política local é apontado um distanciamento entre o prefeito e a governadora Raquel Lyra (PSD), assim como com o vice-prefeito da cidade, Felipe Andrade (PSD), o que teria ampliado as tensões dentro da base governista. “O negócio está tão difícil que a governadora hoje não quer botar a cara no prefeito que ela indicou para governar a cidade”, relatou.
Em sua avaliação, o resultado eleitoral de 2024 foi influenciado por uma forte campanha nas redes sociais contra sua gestão. De acordo com o deputado, o povo de Paulista não votou em Ramos, votou contra ele depois de uma estratégia de desconstrução de sua imagem. Para Matuto, a incapacidade é refletida no rompimento até do próprio conjunto político de Ramos, que tenta se eximir da responsabilidade.
“O negócio lá está tão difícil, que a governadora hoje não quer botar a cara no prefeito que ela indicou para governar a cidade. Por isso que tem esse ‘samba do crioulo doido’ lançando a filha do prefeito como candidata a deputada estadual e o vice-prefeito [também pré-candidato]. Por não ter correspondido às expectativas e o compromisso firmado na hora do apoio no segundo turno, estão agora querendo se ausentar da responsabilidade”, avaliou.
Outro ponto criticado por Júnior Matuto foi a situação do Hospital Nossa Senhora de Fátima, antigo Hospital Torres Galvão, em Paulista. Segundo ele, a unidade foi adquirida pelo governo estadual, mas permanece sem funcionamento.
“O Hospital Nossa Senhora de Fátima estava funcionando. A governadora não precisava inventar a roda. Era só pegar uma organização social para administrar, como acontece em vários hospitais. Já vai completar sete meses com o hospital fechado e os equipamentos se sucateando”, criticou.












