
Após 18 dias de sua nomeação e em meio a controvérsias envolvendo sua indicação ao Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, o ex-deputado federal Tadeu Alencar (PSB) deixou o cargo na última segunda (20). A exoneração foi publicada no Diário Oficial da União pelo presidente em exercício, Geraldo Alckmin (PSB).
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Em nota divulgada nas redes sociais, Tadeu comentou os impasses relacionados à sua nomeação e negou qualquer desentendimento com o PSB ou com o presidente Lula.
“A minha nomeação para ministro do Empreendedorismo, sobre ser uma honra para qualquer servidor público de carreira, terminou por acarretar tensões no meu partido, o PSB, que são, sob todos os aspectos, indesejáveis. É indispensável que o governo, desde logo, possa gastar a sua energia para continuar melhorando a vida da população, com inclusão e combate às desigualdades”, diz um trecho.
Em outro momento, ele reforçou que não houve articulação de sua parte para assumir o cargo: “Não reivindiquei, não articulei, não angariei apoios, não busquei qualquer patrocínio, visando a tal nomeação, porque a política, antes de ser feita em torno de personalismos, deve se fazer em torno de projetos”.
A saída de Tadeu ocorre dentro de um rearranjo interno do PSB. Para o seu lugar, foi indicado Paulo Henrique Rodrigues Pereira, ligado ao ex-governador de São Paulo, Márcio França (PSB), que deixou o ministério para disputar o Senado. O nome também contou com o aval do ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) e da deputada federal Tabata Amaral (PSB).
De acordo com reportagem da jornalista Mônica Bergamo, Tadeu Alencar avalia agora seus próximos passos. Entre as possibilidades estão um convite feito por Alckmin para atuar na assessoria da vice-presidência, se debruçar na campanha de João Campos ao governo de Pernambuco, ou ainda um possível o retorno à Câmara dos Deputados, onde pode assumir uma vaga como segundo suplente do PSB, com a saída de alguns deputados.
Confira a nota na íntegra:
A minha nomeação para ministro do Empreendedorismo, sobre ser uma honra para qualquer servidor público de carreira, terminou por acarretar tensões no meu partido, o PSB, que são, sob todos os aspectos, indesejáveis.
É indispensável que o governo, desde logo, tenha possa gastar a sua energia para continuar melhorando a vida da população, com inclusão e combate às desigualdades.
Desta forma, conquanto se cuide de prerrogativa do chefe do Poder Executivo, mas também espaço de indicação partidária, não me sinto à vontade para seguir à frente da pasta, sabendo que tal continuidade, por motivos alheios à minha vontade e à minha pessoa, alimenta tais tensões.
Não reivindiquei, não articulei, não angariei apoios, não busquei patrocínio, visando a tal nomeação, porque a política, antes de ser feita em torno de personalismos, deve se fazer em torno de projetos.
Com responsabilidade com o governo do qual fazemos parte, busca-se unidade e pacificação.
Ainda que como secretário executivo fosse natural tão honrosa investidura, critério sabiamente afirmado pelo presidente da República, lastreada, também numa trajetória de mais de 40 anos, o certo é que precisamos, rapidamente, superar divergências e começar a trabalhar em favor do Brasil.
Na administração pública é natural a nomeação e a exoneração dos cargos, por mais relevantes, dada a sua natureza mesma de transitoriedade.
O importante é o que fazemos quando os ocupamos: se servimos ao coletivo ou a interesses dissociados da dura realidade do nosso povo.
Saio da honrosa condição de ministro de cabeça erguida, pois nasci num território onde os homens e mulheres sempre estiveram de pé.
Se o tempo foi curto, não há problema, a vida é breve.
Agradeço ao presidente Lula tamanha distinção. Desde 2023 sirvo ao seu projeto de reconstrução e transformação do Brasil. Que o nosso PSB, de Mangabeira, de Arraes, de Eduardo Campos, de Geraldo Alckmin, de João Campos – que nos lidera em quadra tão desafiadora – de tantos que lutaram pelas franquias democráticas e contra as injustiças, tenha cada vez mais consciência da tarefa que lhe pesa sobre os ombros. Os cargos, esses são passageiros, mas o ideal, permanece e é ele que nos guia, sempre!”.

