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Opinião | Gustavo Krause, 80 anos: o prefeito que tocou a alma do Recife

Redação
Foto: Giovanni Costa

Por Fernando Dueire*

 Celebrar os 80 anos de Gustavo Krause não é apenas revisitar uma biografia política de peso, mas analisar um fenômeno de gestão que, em apenas 36 meses, deixou uma marca indelével na capital pernambucana. Prefeito do Recife entre 1979 e 1982, Krause não foi apenas um administrador; foi um intérprete da alma urbana que operou à frente de seu tempo, unindo o rigor técnico das finanças públicas a uma sensibilidade social e cultural raramente vista no cenário nacional.

Muitas vezes, a política é medida pela longevidade, mas no caso de Krause, a métrica foi a intensidade. Seus três anos como titular do Palácio de Capibaribe foram pautados por uma inovadora escuta popular, transformando a gestão em um canal direto com o cidadão. Ele compreendeu, antes de muitos, que a cidade é um organismo vivo e que a autoestima do recifense era o combustível necessário para a modernização. Sob sua batuta, o Recife recuperou sua alegria com as feirinhas típicas que levavam animação e economia criativa aos bairros, provando que a ocupação do espaço público é a base da cidadania.

O legado de Krause é visível tanto no concreto quanto no espírito da cidade. No campo da mobilidade e infraestrutura, ele redesenhou fluxos vitais ao construir a Ponte-Viaduto Torre-Parnamirim e implantar o inovador corredor ilha na Avenida Caxangá, soluções que antecipavam os desafios do crescimento urbano. Simultaneamente, com o projeto “Um por Todos”, demonstrou que a eficiência administrativa deve estar sempre a serviço da solidariedade e do amparo social.

Entretanto, foi na preservação da memória e no fomento às artes que Gustavo Krausedemonstrou sua visão mais profunda. Em um curto mandato, ele entregou à cidade três pilares culturais fundamentais: o Museu Murillo La Greca, o Museu da Cidade no Forte das Cinco Pontas e o Museu de Arte Moderna, na Rua da Aurora — este último devolvendo vida a um endereço histórico onde funcionara o Clube Internacional. Krause entendeu que uma metrópole sem museus é uma cidade sem alma.

Após a prefeitura, Krause alçou voos maiores como Governador e Ministro, mas o DNA de sua vida pública permaneceu fincado naquela experiência municipal. Hoje, aos 80 anos, ele permanece como uma referência intelectual e ética. Sua trajetória é a prova de que o futuro não se espera; projeta-se com coragem, competência e, acima de tudo, com a capacidade de ouvir o coração das ruas. O Recife de hoje ainda respira a modernidade plantada por ele naqueles breves, mas eternos, 36 meses.

* Senador da República por Pernambuco