
A Frente Popular de Pernambuco apresentou uma notícia de fato junto ao Ministério Público Eleitoral pedindo investigação sobre a relação entre um policial civil da ativa e a empresa que recebeu o maior volume de recursos da campanha de Raquel Lyra (PSD) até agora. O documento aponta que Uberdan de Menezes Matos Junior era sócio-administrador da Rede de Negócios e Produção de Eventos quando a instituição foi contratada por R$ 2,5 milhões para fazer a gestão da militância da governadora. O agente é o mesmo que se envolveu em um disparo de arma de fogo, na quarta (16), durante um evento de Flávio Bolsonaro (PL) no Recife.
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Dados públicos registram Uberdan como sócio-administrador da empresa desde setembro de 2022. Segundo a notícia-crime, os pagamentos da coligação de Raquel por serviços de contratação e gestão de militância ocorreram em 28 de agosto de 2026, quando Uberdan ainda era administrador da empresa. Cinco dias depois, a Rede de Negócios passou a ter a mãe do policial, Sandra Nazaré Chagas do Amaral, nessa função. A Frente Popular pede que sejam levantados os documentos que comprovem as alterações societárias e a efetiva prestação dos serviços contratados, buscando descartar suspeitas de interposição de pessoa para ocultar a continuidade do vínculo societário do policial, além de apropriação de recursos de campanha e possível lavagem de dinheiro.
Outro ponto apresentado pela coligação que representa João Campos (PSB) é uma divergência na prestação de contas eleitoral. De acordo com a notícia de fato, em 8 de setembro, a campanha de Raquel havia declarado R$ 11,8 milhões em receitas e nenhum gasto. Já em consulta posterior, em 17 de setembro, passaram a constar R$ 7,63 milhões em despesas, com a empresa de Uberdan aparecendo como fornecedora de R$ 2,5 milhões, a campeã em recursos recebidos da campanha do PSD. A representação pede que seja apurada a regularidade dos registros, a origem e o destino dos recursos e quem administrava a empresa quando houve a contratação.
Outra suposta irregularidade é o fato de que a empresa aparecia em condição inapta para contratações no período da contratação. Além disso, segundo a Lei Federal 8.112/1990, servidores públicos não podem ser administradores de empresa, condição em que Uberdan supostamente estava quando teve a empresa contratada pela coligação de Raquel.
A notícia de fato cita ainda o caso ocorrido em 16 de setembro, durante um ato político com Flávio Bolsonaro no Recife, no qual Uberdan foi filmado armado em uma ação que deixou uma pessoa ferida. A Frente Popular pede a preservação de imagens, registros financeiros e documentos empresariais, além da instauração de procedimento investigatório criminal.
