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Ivan Moraes propõe novo modelo de investimento na cultura pernambucana

Redação
Foto: Arthur Botelho

O candidato ao Governo de Pernambuco Ivan Moraes (PSOL) participou da sabatina da Rádio Folha 96,7 FM, na qual debateu temas como saúde, educação, infraestrutura, economia, cultura, política partidária e segurança pública.

Durante a entrevista, Ivan apresentou propostas relacionadas à política cultural do estado. Entre as medidas defendidas, está a ampliação dos investimentos no setor e a adoção de uma política que, segundo o candidato, considere a cultura também como instrumento de desenvolvimento econômico e social, com ações voltadas a trabalhadores, grupos e manifestações culturais de diferentes regiões de Pernambuco.

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Na avaliação dele governos de diferentes períodos não trataram a cultura como uma política central para o desenvolvimento de Pernambuco. “Historicamente, Raquel Lyra, Paulo Câmara, Eduardo Campos, João Lyra… ninguém viu cultura como central para o desenvolvimento de Pernambuco. Ninguém”, afirmou o candidato.

O candidato também criticou as condições de funcionamento da Fundarpe e mencionou a situação dos profissionais envolvidos na execução de políticas culturais.

A Fundarpe tá sucateada, funciona com poucos funcionários terceirizados que na época de festejos viram a noite, não ganham hora extra direito. A empresa às vezes fecha e não repassa [o pagamento dos funcionários], aí tem que passar pra outra empresa. Hoje, política de cultura é isso. Eu quero tirar o estado de ser um produtor de eventos, apenas. O estado hoje é um produtor de eventos, assim como a Prefeitura do Recife também é produtora de eventos, 70%, 80% dos recursos indo pra produção de eventos”, explicou o pessolista.

Ivan citou ainda levantamento do observatório “De Olho nos Ruralistas” sobre contratos de shows realizados por estados e municípios brasileiros. Segundo os dados mencionados pelo candidato, Pernambuco teria destinado R$ 57 milhões, em dois anos, para 25 artistas.

Para o ex-vereador, a política cultural deve ampliar a distribuição dos recursos para garantir a continuidade de manifestações culturais e apoiar trabalhadores do setor. Ele também defendeu que os investimentos sejam considerados dentro de uma perspectiva que envolva outros segmentos da economia, como comércio e turismo.

“Eu quero, primeiro, aumentar esse recurso entendendo que dá pra pelo menos triplicar com o dinheiro que a gente já tem. Pra começar: 400 brinquedos da cultura popular espalhados por Pernambuco. O governo do estado conhece mais de mil. Não são agremiações que estão escondidas, nós as conhecemos, tanto que as contratamos – por uma miséria, mas contratamos. Publica um edital, elas vão concorrer, R$ 10 mil pra cada uma por mês pra elas poderem existir. Pro mestre não ter que cortar cana, pro maestro da orquestra de frevo não ter que ser condutor de transporte escolar de segunda a sexta. Nada contra essas profissões, mas eu quero preservar a identidade, a garantia e o trabalho de quem é expoente da nossa cultura. No final do ano, vai dar R$ 48 milhões. A contrapartida é fazer um ensaio aberto na rua por mês, pode ser no seu território ou intercambiando com outros brinquedos que estão em outros territórios”, disse

O candidato afirmou ainda que a proposta poderia produzir efeitos econômicos e sociais em diferentes regiões do estado, com impactos sobre a geração de emprego e renda, o turismo e a ocupação dos espaços públicos.

Dados de bancos provam que a cada real que você coloca na cultura, esse real até 15 vezes em recursos pra população. A rua vai estar mais segura, a nossa cultura vai sobreviver, o turismo vai ser intensificado. É um ciclo virtuoso que a gente vai dar início aqui em Pernambuco, e não olhar pro nosso brinquedo da cultura popular apenas nos ciclos [festivos], aí a gente vai virar exemplo pro mundo todo!”