
A decisão do presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, Álvaro Porto (PSDB), de acatar o parecer da Procuradoria da Casa e arquivar o pedido de abertura de processo por crime de responsabilidade contra a governadora Raquel Lyra (PSD) vai além de um ato administrativo. O gesto carrega um significado político claro, que é o de distensionar a relação entre os poderes Legislativo e Executivo, além de preservar a institucionalidade.
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O pedido de impeachment apresentado pelo deputado Romero Albuquerque (UB) gerava expectativa nos bastidores da Casa, sobretudo porque o presidente da Alepe tinha a prerrogativa de não seguir a orientação da Procuradoria e submeter o tema ao plenário, uma vez que não há previsto legalmente e regimentalmente vinculação entre o parecer técnico e o prosseguimento do processo.
Optando pelo arquivamento, Álvaro sinaliza maturidade política e compromisso com a estabilidade institucional. A decisão também dialoga com o clima observado na reabertura dos trabalhos legislativos, na última segunda (2), quando chamou atenção o ambiente de cordialidade entre o presidente da Alepe, a governadora e a vice-governadora Priscila Krause (PSD), minimizando o ambiente de tensão visto em outros momentos.
O embate entre base e oposição relacionado ao pedido de impeachment poderia transformar o plenário da Alepe no verdadeiro circo que se transformou o debate na Câmara do Recife, mantendo a Casa de Joaquim Nabuco focada no que lhe cabe: o debate qualificado, a fiscalização responsável do Executivo, e a dedicação de esforços aos interesses da população. No atual cenário político marcado por radicalizações e espetacularização digital, a prudência adotada por Álvaro foi uma verdadeira demonstração de grandeza.













