Saúde

FMO destaca avanços da IA e da medicina personalizada no tratamento do diabetes

Redação
Foto: Divulgação

Nesta sexta (26), data em que é celebrado o Dia Nacional do Diabetes, a Faculdade de Medicina de Olinda (FMO) destacou uma das principais inovações tecnológicas para o tratamento da condição, que tem permitido diagnósticos mais precisos e tratamentos mais eficazes. Segundo a instituição, a forma de acompanhar e tratar o diabetes mudou nos últimos anos. Sensores de monitorização contínua da glicose, inteligência artificial aplicada à saúde e terapias cada vez mais personalizadas estão transformando a experiência dos pacientes e ampliando as possibilidades de controle da doença.

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Porém, um dos mais renomados endocrinologistas do Brasil, o Dr. Ruy Lyra, diretor acadêmico da instituição, faz um alerta para evitar erros diagnósticos e reforça a necessidade de manter, sempre, o olhar humano mesmo diante dos avanços tecnológicos.

O foco principal do debate é garantir que essas inovações tenham acurácia clínica comprovada e sirvam como ferramentas de apoio, sem anular o papel do médico nem a educação em saúde do paciente.

O coordenador do curso de Medicina da FMO, outro especialista de renome nacional e internacional em Endocrinologia, Dr. Lucio Vilar, também explicou os impactos da inovação tecnológica, como a monitorização digital, a medicina de precisão, os novos medicamentos e as perspectivas futuras para o cuidado das pessoas que vivem com diabetes.

A junção da inteligência artificial, dos sensores e da medicina personalizada está transformando o tratamento do diabetes em um processo mais preditivo e automatizado.

Em vez de reagirem a picos ou quedas de glicose, os pacientes agora contam com sistemas capazes de antecipar alterações metabólicas, adaptar as doses de insulina de forma individualizada e otimizar a qualidade de vida, por exemplo.

Outra novidade são os chamados Sistemas de Circuito Fechado, conhecidos como “Pâncreas Artificial”, nos quais algoritmos de inteligência artificial integram o sensor a uma bomba de insulina, calculando e administrando o hormônio automaticamente, de forma semelhante ao funcionamento natural do pâncreas.

Além disso, há ainda assistentes virtuais, como a iniciativa de inteligência artificial intitulada Tia Bete, criada pelo HC-USP, que funciona via WhatsApp, auxiliando na contagem de carboidratos e esclarecendo dúvidas de forma acessível.

Mas os endocrinologistas fazem um alerta: a inteligência artificial no tratamento do diabetes é uma ferramenta poderosa para prever episódios de hipoglicemia e melhorar o controle glicêmico, mas não substitui a avaliação médica especializada.

Os principais pontos de atenção envolvem a dependência tecnológica, a privacidade dos dados e o risco de tratamentos sem validação clínica.

Os principais alertas e desafios levantados pelos especialistas incluem:

  • Validação clínica e científica: algoritmos de inteligência artificial devem seguir padrões rigorosos da medicina baseada em evidências. Receitas médicas ou condutas geradas por IA sem supervisão de um profissional podem conter erros graves;
  • Risco de viés nos algoritmos: a IA pode apresentar vieses caso seja treinada com dados que não representem a diversidade da população, incluindo diferentes etnias e classes socioeconômicas, comprometendo a precisão do tratamento;
  • Redução do senso crítico clínico: existe o perigo de médicos e pacientes confiarem cegamente nas sugestões do algoritmo. A tecnologia deve servir como apoio à decisão clínica, e não como substituta do raciocínio humano;
  • Privacidade e segurança dos dados: a integração de sistemas de Monitorização Contínua de Glicose (CGM) com prontuários exige proteção rigorosa contra vazamentos de dados sensíveis dos pacientes;
  • Acesso e desigualdade: inovações de ponta que utilizam inteligência artificial, como sistemas híbridos de alça fechada e bombas de insulina, ainda possuem custo elevado. O alerta é para que o avanço tecnológico não amplie a desigualdade no acesso à saúde.